A retomada - sua empresa está preparada para quando a tempestade passar? PDF Imprimir E-mail

lucianoVamos supor que seja dada a notícia de que a crise acabou. Da mesma forma que essa crise começou, abrupta, em setembro de 2008, um dia ela há de passar. Quando isso ocorrer, e o ritmo das atividades voltar como antes, sua empresa estará preparada? Sairá na frente ou ficará para trás?

Estamos em tempo de repensar os negócios, fazer os ajustes necessários e nos preparar para a retomada. Não sabemos quando a tempestade passará. Mas devemos planejar o que fazer para sair bem quando o tempo melhorar. Isso também requer preparo na gestão das empresas.

 

Com notícias ruins chegando a cada dia, como a redução do nível de atividade das empresas, o conseqüente corte em contratos e terceirizados e também no emprego, é natural que tenhamos a sensação de que tudo parou. Na verdade reduziu, muito, mas não parou.
Aquelas empresas muito concentradas em poucos clientes, especialmente aqueles que dependem da demanda externa, certamente estão sentindo mais os efeitos desses tempos difíceis. Aquelas empresas melhor posicionadas estrategicamente, que diversificaram seus negócios no passado, estão sofrendo menos. Ambas devem se cuidar fazendo uso do sistema de gestão para promover as melhorias necessárias e também buscar alternativas para seus negócios.

Cuidado com a economia de palito
Com a redução da demanda, perda de contratos e oportunidades que não aparecem, é natural que venham os cortes. Uma recomendação importante está na cautela em relação dos cortes. Cuidado com o "corta tudo". Na retomada pode fazer falta.
O desperdício, o desnecessário, o supérfluo, deve ser cortado sempre. Muitas empresas começam com o corte de itens que não afetam o seu negócio. É a chamada "economia de palito". Cortar pessoal, treinamentos, sistemas, investimentos, entre outros, pode prejudicar estratégias de busca de novos negócios e até mesmo enfraquecer estrategicamente a empresa quando os negócios voltarem.

É hora de novos projetos
A estratégia da diversificação surte maior efeito quando é aplicada antes de crises. Chamamos isso de medidas anticíclicas. Da mesma forma, investir na melhoria da gestão deixa a empresa melhor preparada para tempos difíceis. Nesses casos, temos que apressar o tempo de desenvolvimento.

As empresas deveriam sempre buscar novos negócios, desenvolver novos produtos, melhorar seus processos, entre outras melhorias. É o que chamamos de estratégia para a inovação. Em épocas de crises, bate o desespero e a empresa não vê oportunidades, preocupando-se apenas com as ameaças.
Tire da gaveta aqueles projetos interessantes, mas que foram esquecidos devido à demanda aquecida nos tempos de pré-crise.

Quem não aparece não é lembrado
Não adianta se esconder para que a crise passe. É o chamado "efeito avestruz". Temos de encarar esses tempos difíceis. Devemos aparecer mais, seja para encontrar oportunidades por meio de relacionamentos ou fazer nossas empresas aparecerem para serem lembradas. Divulgação e comunicação com clientes é uma ação importante. Cuidado para não investir no meio errado. Um anúncio em revista direcionada ao seu público alvo pode ser melhor que uma divulgação em massa. As associações empresariais, como sindicatos, e também eventos empresariais são meios baratos e proporcionam bons resultados de relacionamento.


Analisar, pensar, planejar e agir
A Gestão da Qualidade nos ensina a atuar em três eixos básicos para organizar a empresa como um todo: rotina, melhoria e inovação. Especialmente em tempos de contingências devemos nos ater sobre essas técnicas.

A gerência da rotina nos orienta a analisar os resultados das atividades dos processos, verificando o uso de recursos e os resultados obtidos. Por meio de indicadores, podemos verificar a eficiência (estamos usando adequadamente os recursos?) e também a eficácia (estamos alcançando os resultados esperados?). Com isso, é possível cortar os custos da não qualidade, daquilo que não agrega valor.
Com a gerência das melhorias, podemos definir as melhorias graduais nos processos, produtos, métodos de trabalho, entre outros, trazendo melhores resultados de forma gradual. Os japoneses chamam isso de "kaizen".

Com a gerência da inovação, ou projetos, podemos promover mudanças significativas nas operações, desenvolver novos produtos ou mesmo novos negócios. Os japoneses denominam isso de "kairiô".

Em todas essas formas de gerenciamento, que podem ser aplicadas concomitantemente, deve ser usada a seqüência do Planejar, Desenvolver, Conferir e Agir, mais conhecido como ciclo PDCA.

Considerando que a crise, além de financeira, é também de demanda, a melhoria de gestão deve estar sincronizada para o mercado, focado nas necessidades dos clientes. Isso pode envolver mudanças nos produtos e serviços e até mesmo novas formas de atuação da empresa.

A estratégia nos orienta a olhar para o futuro, procurando enxergar o que fazer para quando os bons tempos voltarem. Se bem planejado e adoção de ações corretas, sua empresa se fortalecerá e sairá na frente na retomada. Caso contrário, lamentará uma nova crise, vendo seus concorrentes mais fortes e mais bem preparados distanciando-se na corrida da competitividade.

Luciano Raizer Moura
Doutorando e mestre em Engenharia de Produção pela USP, Professor do CT/CSTM da Ufes, diretor da Raizer Moura Consultoria, coordenador-executivo do Prodfor e vice-presidente institucional da Findes para assuntos de Ideies.