História PDF Imprimir E-mail

005a

Concentrando em seu pequeno território uma expressiva quantidade de indústrias exportadoras de relevância nacional e internacional, grandes geradoras de riquezas para o país, o parque industrial do Espírito Santo apresenta um grande potencial de demandar produtos e serviços de apoio que, por sua vez, podem representar excelentes oportunidades de mercado para as milhares de pequenas e médias empresas capixabas.

Em paralelo a isso, as grandes plantas industriais também precisam de fornecedores próximos com capacidade de suprir suas necessidades com economia e qualidade, que possam garantir a sustentabilidade e competitividade de seus negócios globais. Sob o ponto de vista da cadeia de suprimentos, a proximidade é um item importante, ligado a dois outros, fundamentais: agilidade e custos.

A primeira a sentir essa necessidade foi a Arcel (Aracruz Celulose, também a primeira das grandes companhias a se instalar no Estado), que em 1996 decidiu investir na capacitação e desenvolvimento desses fornecedores, de forma a obter um fluxo de suprimento contínuo e com a qualidade necessária.

Para isso, procurou o apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES), órgão da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) encarregado de aproximar Indústria e Academia e de promover a capacitação empresarial para o aperfeiçoamento da gestão, a inovação, o empreendedorismo e a produção e difusão de informações para negócios.
Visualizando nessa situação uma oportunidade de se criar uma metodologia que pudesse ser aplicada também a outras indústrias com as mesmas necessidades, racionalizando esforços e otimizando custos, a Findes convidou as maiores empresas então instaladas no Espírito Santo a integrarem-se num esforço geral de qualificação dos fornecedores capixabas dos bens e serviços mais demandados por esse grupo.

Onze delas - Elkem Participações, Indústria e Comércio (Carboindustrial), Companhia Vale do Rio Doce (CVRD, hoje Vale), Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), Chocolates Garoto, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST, hoje ArcelorMittal Tubarão), Belgo Mineira (hoje, ArcelorMittal Cariacia), Espírito Santo Centrais Elétricas (Escelsa, hoje Energias do Brasil), Flexibrás (hoje Technip), Samarco Mineração e Telemar (hoje Oi) - aderiram prontamente à idéia inovadora, e participaram ativamente do planejamento e desenvolvimento do Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores, mais conhecido por sua sigla, Prodfor.

Desenvolvimento e consolidação


O IEL partiu então para a realização de um programa-piloto, executado no biênio 1997-1998, que objetivou desenvolver e qualificar 24 empresas fornecedoras de serviços e mão-de-obra nas áreas eletroeletrônica, metalmecânica e serviços. Vinte e duas delas obtiveram a certificação de qualidade ao final de 1998, a primeira expedida pelo Prodfor. Hoje, já são 348 as empresas certificadas pelo Programa.

Coube ao IEL a tarefa de capacitar e orientar os fornecedores participantes dessa primeira turma na organização e implantação de seus sistemas de gestão pela qualidade, tomando como base os requisitos contidos na norma ISO 9002:1994, internacionalmente aceita, acrescidos dos itens meio ambiente, segurança, instalações e melhorias. Mas, antes, o IEL precisou desenvolver a metodologia de trabalho e capacitar seus próprios quadros para a aplicação do programa.

A partir dessa primeira experiência, o Prodfor foi reavaliado pelos profissionais do IEL e das empresas mantenedoras participantes da elaboração do programa, e teve seu funcionamento adequado para aperfeiçoar os pontos considerados frágeis ou críticos e consolidar os pontos fortes identificados nessa avaliação. Desde então, o Prodfor é periódica e regularmente avaliado por seu Comitê Executivo, com vistas à sua própria melhoria contínua e às possibilidades de ampliação da abrangência e atuação do programa.
A metodologia básica do programa permanece sem alterações drásticas em relação ao que foi inicialmente concebido. Não obstante, ao longo desses onze anos de um trabalho contínuo de implantação da cultura, técnicas e tecnologias que garantam a qualidade no fornecimento de bens e serviços, o Prodfor registra uma evolução permanente em sua própria sistemática de funcionamento, bem como a conquista de resultados verdadeiramente expressivos, tanto para as suas mantenedoras quanto para as pequenas e médias empresas fornecedoras certificadas, e mesmo para a economia do Estado.

Em sintonia com os avanços na gestão empresarial, com as necessidades impostas pelo mercado e com as exigências do desenvolvimento sustentável, além do SGQF, o Prodfor desenvolveu e implanta outras três certificações: Sistema de Gestão Ambiental (SGA, lançado em 2005, com base na norma ISO 14000), Sistema de Gestão da Saúde e Segurança Ocupacional (SGSS, lançada em 2007, com base na norma OHSAS 18000) e o inédito Sistema de Gestão Financeira, Fiscal e Trabalhista (SGFFT, lançada em 2008).

Esta última certificação, sem paralelo no país, surgiu da constatação de que, apesar dos resultados expressivos que as fornecedoras obtêm com a implantação do SGQ, como comprovou a Pesquisa do Prodfor o equilíbrio nas finanças empresariais das pequenas e médias organizações requer um foco específico e aprofundamento em aspectos característicos de sua condição.

A comunicação como ferramenta de informação, integração, difusão e consolidação de conceitos e técnicas entre os participantes do Programa também sempre foi uma preocupação do Comitê Executivo. Por isso mesmo, investimentos em recursos que a ampliem e melhorem representam uma constante para os responsáveis pelo Prodfor.

Nesse sentido, a primeira e mais importante iniciativa foi a criação da Revista do Prodfor, um veículo com conteúdo especialmente dirigido à "comunidade prodforniana". Circulando trimestralmente de forma ininterrupta há seis anos, a publicação é produzida pela Next Editorial, maior editora de publicações segmentadas do Espírito Santo e única certificada pelo Prodfor. A Next Editorial publica também outros três títulos: ES Brasil, revista mensal de economia e negócios; Comunhão, revista mensal dirigida ao público evangélico; e SuperIlha, revista trimestral com foco no varejo de alimentos e bebidas.

Outras iniciativas que merecem destaque são o próprio site do Prodfor, que reúne todas as informações importantes sobre o Programa e mantém os participantes atualizados, e o Sistema de Informação do Prodfor (SIP) - um banco de dados em desenvolvimento que fará o armazenamento, tratamento, recuperação e gerenciamento das informações operacionais do Programa, como dados das empresas fornecedoras e mantenedoras, cadastro de auditores, gerenciamento das auditorias, desenvolvimento, participação e qualificação das fornecedoras, concentrando e disponibilizando-as a partir de uma área de acesso restrito do site do Prodfor.