Um dos projetos em andamento que a Vale mantém no Espírito Santo é a construção da Usina 8, no complexo de Tubarão, em Vitória - uma pelotizadora que terá a capacidade de processar 7,5 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano.
Para a concretização deste projeto, serão investidos US$ 636 milhões. A previsão de geração de empregos é de três mil postos de trabalho durante a obra e outros 350 permanentes com a entrada em operação. A construção da oitava usina foi iniciada em 2008 e a previsão, segundo a empresa, é de que esteja concluída até o final de 2012.
A empresa mantém seu compromisso com o desenvolvimento do Estado. Para a Usina 8, a Vale contará com 100% de equipamentos de caldeiraria provenientes de empresas fornecedoras capixabas, as quais conquistaram todos os sete pacotes previstos para essa fase de obras: três foram conquistados pela Solesa (Cariacica), dois pela BNG Metalmecânica (Serra) e outros dois pela KNM (Serra).
Juntas, estas empresas representam o fornecimento total de 8 mil toneladas de equipamentos e materiais de caldeiraria, entre tanques, vasos, dutos e silos. O valor destes contratos é de R$ 67 milhões, com a geração de cerca de mil empregos ao longo de 2010. Os produtos e serviços contratados de empresas capixabas pela Vale para a implantação da Usina 8 somam, no total, cerca de R$ 220 milhões.
Usina em Anchieta deve gerar 18 mil empregos
Outro investimento da Vale no Estado é a implantação da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), cujo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impactos ao Meio Ambiente (EIA-RIMA) foram entregues às autoridades governamentais em dezembro de 2009.
A usina terá capacidade anual de produção de 5 milhões de toneladas de placas de aço e será instalada em Anchieta, região sul do Espírito Santo. A expectativa é de que o processo de licenciamento ambiental ocorra durante o ano de 2010 e as obras tenham início em 2011, com entrada em operação em 2014.
Durante o período de licenciamento, o empreendimento continuará sendo divulgado e debatido com as partes interessadas, como aconteceu durante o segundo semestre de 2009, quando foram realizadas mais de 50 reuniões com 19 comunidades.
Com a entrada em operação da CSU, estima-se que deverão ser criados cerca de 18 mil empregos, sendo três mil próprios e 15 mil indiretos. Segundo a companhia, será dada prioridade à contratação de mão de obra local, tanto para a fase de construção quanto para a operação, com ações previstas para a capacitação dos trabalhadores da região, em parceria com os governos estadual e municipal, empresas e instituições profissionalizantes.
A entrada em operação da siderúrgica demandará a implantação de um eficiente sistema logístico, com a criação de um porto de águas profundas com capacidade de embarque adequada à produção da CSU e uma ferrovia, a Litorânea-Sul, que atravessará onze municípios do Estado, de Cariacica a Cachoeiro do Itapemirim.
Parceria entre empresa, poder público e sociedade
Além de investimentos em seu parque industrial, a Vale tem apostado e apoiado o desenvolvimento das cidades onde mantém as suas atividades. A companhia entregou ao Governo do Espírito Santo e prefeituras, no final de 2009, durante solenidade no gabinete do Governador do Estado, Paulo Hartung, o Diagnóstico Socioeconômico dos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica - um amplo estudo que permite orientar ações e investimentos para o desenvolvimento dessas regiões.
O documento foi elaborado entre os anos de 2007 e 2008, a partir da análise de dados oficiais e entrevistas com lideranças, associações de moradores, participantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e autoridades. O resultado é um amplo estudo de 1.800 páginas, que traça as perspectivas econômica, social, demográfica, histórica, urbana e cultural de cada um dos quatro municípios.
Segundo o diretor de pelotização da Vale, Felipe Guardiano, o diagnóstico ajuda a priorizar e a combinar com as prefeituras os temas que deveriam ser tratados com urgência e de como viabilizá-los. "Ajudamos aos prefeitos e ao corpo de secretários a enxergar a sua própria comunidade sobre uma ótica mais numérica, quantitativa", comentou Guardiano. Além de servir como orientador de ações do próprio poder público e da sociedade civil, o Diagnóstico norteia a criação do Plano de Gestão dos Investimentos Sociais da Vale.
O estudo marca uma nova forma de atuação da Fundação Vale, braço social da companhia, fundamentado em projetos de infraestrutura; gestão pública; e desenvolvimento humano e econômico. Nessa nova fase, a Vale e a Fundação Vale trabalharão o desenvolvimento socioeconômico dos territórios focando na intersetorialidade - parceria efetiva entre a empresa, o poder público e a sociedade. O objetivo é maximizar as iniciativas de cada um desses setores, evitando ações paralelas sem conexão entre si e criando projetos que agrupem os esforços em uma mesma direção.
Projetos estruturantes
Dentro da nova metodologia de trabalho da Vale nos campos da responsabilidade social e ambiental, os projetos devem ser estruturantes, como aqueles apresentados ao Governo do Estado e prefeituras no Diagnóstico Socioeconômico feito pela companhia. Entre eles, destaque para:
Vila-Velha - Projeto executivo de dragagem do Canal da Costa, um dos principais problemas estruturais do município. Além disso, o Governo do Estado recebeu, em definitivo, como doação, toda a área conhecida como Morro da Companhia, onde já está instalado o Instituto Estadual do Meio Ambiente (IEMA).
Serra - Projeto executivo de regularização fundiária de parte do bairro Hélio Ferraz, que deve beneficiar uma comunidade de cerca de 650 famílias que vivem hoje em situação irregular.
Cariacica - Projeto executivo de pavimentação de 25 quilômetros de vias públicas. Tais vias serão indicadas pelo município para melhorar a mobilidade urbana da cidade.
Vitória - Projeto executivo de restauração e implantação da Biblioteca Municipal no Palácio Domingos Martins e na residência Cerqueira Lima - antiga sede da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, que fica em frente ao Palácio Anchieta. A iniciativa é em conjunto com o Viva o Centro - projeto de revitalização da região central de Vitória, que inclui a reforma da Praça João Clímaco, com extinção do estacionamento no local.
Investimento em ações ambientais
A Vale tem investido valores expressivos em melhoria de ações e equipamentos de controle ambiental, principalmente relacionados à emissão de particulados no Complexo de Tubarão. Até 2011, serão R$ 500 milhões em investimentos. Entre as principais medidas, está a instalação de cinco wind fences (barreiras de vento) em torno dos pátios, para reduzir a velocidade do vento e impedir que ele arraste partículas das pilhas de minério, pelotas e carvão. As wind fences suportam ventos de até 120 km/h. Ao todo, são nove quilômetros de tela, o que corresponde a três vezes o cumprimento da Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha. A instalação da primeira destas barreiras foi inaugurada no dia 27 de agosto de 2009. Segundo o diretor de pelotização da Vale, Felipe Guardiano, sua instalação é apenas uma medida em meio a diversas providências tomadas pela empresa para diminuir a quantidade de partículas em suspensão.
Outro investimento ambiental com o mesmo objetivo é a instalação de cinco precipitadores eletrostáticos, quatro dos quais foram entregues no final do ano passado e o último está em fase de construção, com entrega prevista para o final de 2010.
Um dos principais ícones do Espírito Santo também será contemplado com recursos para sua preservação. Trata-se do Mestre Álvaro, localizado na Serra. A Vale e a Prefeitura Municipal de Serra assinaram, recentemente, convênio para implantação de um plano de manejo da área, que prevê o manejo florestal da vegetação predominante na região por um período de 24 meses. Haverá, segundo a companhia, aporte financeiro para a elaboração do projeto, que será implementado pelo poder público.
Em outra iniciativa, esta localizada no município de Jaguaré, produtores rurais receberam recentemente mais de 220 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica cultivadas na Reserva Natural Vale, como parte do Programa de Extensão Ambiental, uma parceria entre a companhia e o Governo do Estado. A iniciativa prevê a recuperação de Áreas de Preservação Permanente - APPs - associadas a nascentes e corpos d’água em diversos municípios do Espírito Santo. Somente em Jaguaré serão restaurados mais de 1,7 milhões de metros quadrados, distribuídos em 112 propriedades rurais.
Vale investe em pesquisas e capacitação em logística
Ao longo de sua dinâmica industrial, a Vale tem-se configurado não só como uma indústria mineradora, mas sim como uma empresa de logística. Com esse foco, a empresa inaugurou no quarto trimestre de 2009, no Complexo de Tubarão, a sede do Centro de Excelência em Logística (CEL). O espaço servirá para reunir estruturas para pesquisas e capacitação de empregados que atuam em ferrovias, portos e navegação.
A iniciativa visa ao aumento da qualidade dos serviços logísticos da Vale e, paralelamente, dar suporte ao aumento da produção da empresa, no Brasil e no exterior. O CEL será uma das maiores estruturas integradas para treinamento e desenvolvimento de logística no Brasil. O projeto se caracteriza por uma mudança no conceito de formação técnica na Vale, com a ampliação de ensinamentos práticos. Entre outras estruturas, o espaço, de 42 mil metros quadrados, terá simuladores de operação ferroviária e portuária, biblioteca técnica, salas para treinamentos, simulador de carregamento de vagões, maquete para exercícios do regulamento operacional e sala de captação de conteúdo para construção de materiais didáticos.