Após sete anos como presidente da Federação, a opinião do empreendedor sobre a indústria capixaba é otimista. De acordo com ele, a Findes conseguiu ampliar a interiorização do desenvolvimento industrial e inserir as micro e pequenas empresas neste momento de crescimento do Estado, fazendo com que a indústria pudesse crescer acima da média nacional.
"Enquanto no PaÃs a tendência é de desaquecimento da indústria, no EspÃrito Santo ela está crescendo bastante, alavancando uma excelente performance. Fiquei feliz em poder contribuir para um Estado onde há um nÃvel de emprego pleno, onde o número de desempregados é igual ou menor do o número de vagas existentes. Dobramos o número de empregos diretos e indiretos nestes sete anos", conta Lucas, que acredita que a tendência de crescimento vai se manter nos próximos anos, uma vez que estão previstos investimentos de R$ 150 bilhões para a próxima década no EspÃrito Santo, montante que deve resultar em 150 mil novos empregos na indústria capixaba.
Fazendo uma comparação da indústria - e da própria economia - de 2004 e da atual, Lucas avalia que muitos frutos já foram plantados e colhidos e enxerga no horizonte um futuro ainda mais promissor. "Crescemos acima da média do nacional e a previsão é continuar a trajetória de desenvolvimento. Essa é uma excelente notÃcia para os capixabas, que terão um EspÃrito Santo menos desigual e com mais oportunidades para todos", disse.
Crescimento em meio à crise
No ano em que assumiu seu segundo mandato como presidente da Findes, Lucas precisou lidar com um imenso desafio: a crise internacional originada no setor imobiliário americano, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Sobre os impactos dessa crise no paÃs e mais especificamente no Estado, ele enfatiza que a situação foi alarmante, mas que a economia capixaba resistiu bem à provação.
"Por ser um Estado globalizado, com o percentual de comércio internacional em relação ao PIB próximo de 50%, o EspÃrito Santo fica mais sujeito a crises do mercado mundial. E quando existe um acidente de percurso, ou mesmo uma grande crise, o Estado é o primeiro a sofrer. No entanto, as commodities continuam com preços altos no mercado, e a tendência é de elevação. Houve um grande susto em outubro de 2008, que impactou bastante até julho de 2009. Foram meses difÃceis, mas logo depois a economia voltou a crescer e todos os indicadores de 2010 foram melhores do que os de 2008. Em volume, a crise foi tsunami; mas em rapidez foi marolinha", frisou ele.
O êxito do Prodfor
Testemunha da consolidação do Prodfor, Lucas Izoton também faz um balanço sobre as conquistas das empresas do Estado com o advento do Programa. Segundo ele, o Prodfor é um programa bem sucedido que gerou bons resultados para a indústria capixaba junto à s grandes plantas do EspÃrito Santo.
"Hoje, constatamos que empresas como Vale, Samarco, Petrobras, Fibria, ArcelorMittal e outras estão fazendo suas obras e incluindo um percentual elevado de participação de indústrias capixabas, o que significa um grande resultado para o Prodfor", destacou. Segundo Lucas, há 15 anos, as empresas capixabas só participavam com 1% do fornecimento das expansões ou da implantação das grandes plantas. Situação bem diferente da registrada hoje. "Já batemos todos os recordes, quando atingimos 60% das contratações no Brasil para a oitava Usina da Vale, que são de empresas capixabas ou de empresas cujas filiais estão no Estado. O Prodfor, que já capacitou e qualificou centenas de empresas está tendo êxito em promover o setor empresarial capixaba."
O sucesso do Prodfor com fornecedoras do setor metalmecânico, entre outros, dá margem para que o Programa seja utilizado em praticamente qualquer área. Para Lucas, um exemplo de empresa capixaba que cresceu com o Prodfor é a União Engenharia, do empreendedor Salvador Vasques Auriema Turco. "Ele conseguiu fazer crescer bastante os seus negócios, e hoje a empresa saltou de 100 funcionários para cerca de 3 mil, o que mostra que o Programa foi, e é, exitoso. Precisamos estender o conceito do Prodfor para alguns setores industriais capixabas, como construção civil, moveleiro, de vestuário, alimentos e outros. Dessa maneira, certamente, poderÃamos estimular, ainda mais, as pequenas e médias empresas", enfatizou.
Atualmente, 478 empresas são certificadas pelo Prodfor. Tamanha aceitação, para Lucas, é a prova de que empresários de todos os setores estão pensando de forma mais estratégica e creditando à gestão e à melhoria contÃnua dos processos organizacionais as caracterÃsticas vitais para o desenvolvimento de seus negócios.
"Faz parte das crenças e valores da Findes estimular as parcerias e alianças estratégicas, além de implementar esforços para que as indústrias capixabas possam inovar. E o conceito do Prodfor é um grande exemplo disso. Os empresários estão ampliando as suas participações, expandindo seus negócios para outros mercados". Para o presidente da Findes, o Programa é e continuará sendo importante para todos: fornecedoras, mantenedoras, colaboradores e economia como um todo.
Fornecedoras mais rentáveis e com menos dÃvidas
A última pesquisa realizada pelo Prodfor, em 2007, mostrava que o faturamento bruto de todas as empresas participantes do Programa era de quase R$ 2,5 bilhões, sendo registrado um lucro lÃquido acima de R$ 105 milhões. Além disso, as fornecedoras passaram a se endividar menos após a certificação. Rentabilidade, visibilidade e redução de custos são grandes trunfos oferecidos pelo Programa, na percepção do presidente da Findes. "As empresas certificadas pelo Prodfor conhecem ferramentas de gestão que vão facilitar as suas expansões através da redução de custos e do aumento de faturamento visando a novos mercados. Além disso, as empresas conseguem mais qualidade, agilidade, uso de novas tecnologias e uma execução mais rápida. Tudo isso gera maior competitividade", disse Lucas.
Para Lucas, os programas adicionais só fortalecem o Prodfor, fazendo com que as fornecedoras se tornem mais sólidas e competitivas. É ocaso, por exemplo, das certificações mais recentes do Programa, os Sistemas de Gestão Ambiental (SGA), Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SGSS) e Gestão Financeira Fiscal e Trabalhista (SGFFT). A ideia é que elas ampliem os benefÃcios do Sistema de Gestão da Qualidade em Fornecimento (SGQF).
Sobre o diferencial apresentado por uma empresa certificada no Prodfor, Lucas compara o Programa com a credibilidade de normas como a ISO 9000. "O Prodfor é a ISO capixaba e, portanto, as empresas nacionais e internacionais de destaque já sabem que as fornecedoras qualificadas e certificadas pelo Programa trabalham com os quatro pilares essenciais considerados pelas grandes plantas para a contratação de determinado parceiro. Esse pilares são qualidade dos produtos e nas obras, preços justos e adequados, garantia de rapidez e entrega e alto nÃvel de segurança para o trabalhador. E desses quatro, quem faz o Prodfor se especializa e consegue atender bem à s exigências do mercado", enumerou Lucas.
Sentimento de dever cumprido
Olhando para a trajetória percorrida e sua gestão enquanto presidente da Federação das Indústrias, Lucas Izoton acredita que responsabilidades não faltaram, mas os desafios foram divididos por pessoas que o ajudaram em um perÃodo tão especial, de investimentos no Estado e de retomada do desenvolvimento no EspÃrito Santo.
"Sinto-me muito feliz, aprendi muito como cidadão, empreendedor, dirigente e profissional. Sou muito grato à s pessoas que confiaram no meu trabalho e mesmo à s que ajudaram as diretorias do Sistema Findes/Cindes no seu planejamento. Tenho também uma imensa gratidão por todos aqueles que sonharam os meus sonhos e me ajudaram a realizá-los. O sentimento é de dever cumprido, já que conseguimos atingir, e até mesmo superar, metas consideradas ousadas. Sinto até um pouco de alÃvio, afinal, além de ser cidadão e profissional, como presidente de uma entidade conceituada e que me deu muito orgulho, tinha, pelo menos, mais de 50 horas de trabalho. É uma carga elevada de responsabilidade, mas o saldo é extremamente positivo. Os momentos difÃceis que passei já esqueci; apenas aprendi com os erros", finalizou.