Essa é a segunda verificação realizada neste projeto de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), pioneiro nas produtoras de aço integradas mundiais. Os gases são reaproveitados em quatro centrais termelétricas da ArcelorMittal Tubarão, que possuem capacidade instalada de 286 MW de geração de energia elétrica. A primeira fase do projeto, aprovada em 2008, gerou uma receita de R$ 5,7 milhões para a empresa, resultado da comercialização de 240 mil toneladas de CO2. O projeto tem uma previsão de geração de 430 mil ton de CO2 evitadas, ao longo de 10 anos (2004 a 2014).
"Em 2010, revisamos nossa PolÃtica Ambiental com a inclusão de uma diretriz sobre o desenvolvimento de ações voltadas para a redução das emissões de CO2, destacando o comprometimento da empresa com a questão.", afirma Guilherme Corrêa Abreu, Gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal Tubarão."O pioneirismo na área da sustentabilidade é uma marca da empresa. Fomos a primeira produtora de aço integrada em âmbito mundial a registrar um projeto de MDL nas Nações Unidas, e pretendemos continuar assim", afirma o executivo.
A WayCarbon, parceria da produtora de aço desde 2004, mais uma vez, foi a responsável pela assessoria na condução do projeto e nas negociações de venda dos créditos e comemora o sucesso da operação. "Conseguimos manter as mesmas condições da operação financeira, quando da primeira venda, o que é considerado excelente no mercado de créditos de carbono", destaca Carlos Delpupo, diretor da WayCarbon.
Outros projetos em andamento
Outros dois projetos de MDL estão em andamento. O primeiro é o aproveitamento integral dos gases gerados na produção de coque, na Sol Coqueria Tubarão. O processo de recuperação de calor, denominado heat recovery, produz 170 MW de energia elétrica na central termelétrica da Sol Coqueria e tem potencial de gerar créditos, em 10 anos, de 2,5 milhões toneladas de CO2 com a redução de emissão de GEE. A Sol Coqueria Tubarão é uma joint-venture formada pela ArcelorMittalTubarão, ArcelorMittal Belgo e a Sun Coke International e tem capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas de coque por ano.
O segundo projeto é o do Terminal de Barcaças MarÃtimas (Tbmar), no complexo portuário de Tubarão, em Vitória, ES. O Tbmar foi construÃdo para o transporte de 1,1 milhão de toneladas anuais de bobinas a quente para a ArcelorMittal Vega, em Santa Catarina. Quatro barcaças estão em operação por meio do sistema de cabotagem, transportando o equivalente a 110 caminhões por dia, por 1.170 Km, entre as cidades de Vitória (ES) e São Francisco do Sul (SC). O deslocamento da carga, via transporte marÃtimo, contribui para a redução das emissões de GEE provenientes da queima dos combustÃveis dos caminhões, que deixarão de circular nas estradas brasileiras. A estimativa é que sejam geradas 840 mil toneladas de créditos de carbono nos próximos sete anos.
O que é o crédito de carbono?
• Para tentar solucionar problemas, como o gradual aumento da temperatura da Terra e os impactos provocados pela emissão crescente de Gases do Efeito Estufa (GEE), representantes de vários paÃses assinaram, em 1997, no Japão, o Protocolo de Kyoto, em vigor desde fevereiro de 2005, após a ratificação de 141 paÃses;
• O tratado estabelece metas de redução de emissões de gases poluentes para seus signatários listados no Anexo 1 do Protocolo (paÃses integrantes da União Européia, do leste europeu, Canadá, Croácia, Grécia, Islândia, Japão, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Mônaco, Nova Zelândia, PaÃses Baixos, Romênia, Suécia, SuÃça, Turquia, Ucrânia e Estados Unidos). Os EUA, no entanto, não aderiram;
• Para esses paÃses, a meta é reduzir as emissões, entre 2008 e 2012, alcançando uma emissão 5,2% menor do que a registrada em 1990;
• Foram criados mecanismos de flexibilização entre os paÃses para facilitar o atendimento das metas de redução. Com isso, surgiu o Crédito de Carbono, que são as reduções de GEE obtidas e passÃveis de serem comercializadas, permitindo a compra e venda de cotas. Os certificados podem ser obtidos em projetos como os da Arcelor Brasil, enquadrados na categoria Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), voltados para a redução de emissões ou para evitar que elas ocorram futuramente. O MDL é um dispositivo criado pelo Protocolo de Kyoto permitindo aos paÃses do Anexo 1 investir em outras nações com projetos de redução do efeito estufa, caso do Brasil;
• Para obter os certificados, no entanto, existe uma série de etapas que a empresa deve cumprir, desde a elaboração do Documento de Projeto (PDD), passando pelas fases de "Metodologia", "Validação", "Registro", "Monitoramento", "Verificação" e "Certificação" até chegar à emissão da Redução Certificada de Emissões (CER), aprovada por uma comissão gerenciada pela Organização das Nações Unidas (ONU).