Segunda, 21 de Maio de 2012
   
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Ter, 05 de Abril de 2011 14:40

Luiz Robério Silva Ramos

A Unidade de Operações de Exploração e Produção da Petrobras no Espírito Santo (UO-ES) encerrou 2010 com uma produção diária acima de 280 mil barris de petróleo, tendo alcançado o pico de 302 mil barris por dia no início de 2011. O recorde deve-se prioritariamente à produção em novas unidades, com a entrada em operação da plataforma FPSO Capixaba e a interligação de novos poços de petróleo ao FPSO P-57, que iniciou as atividades em dezembro de 2010. Essas plataformas entraram em operação no campo de Jubarte, na porção capixaba da Bacia de Campos. O fato por si só já merece muita comemoração, mas esta mantenedora do Programa Prodfor quer mais: a meta é atingir uma produção média diária de 500 mil barris de petróleo até 2015. E quem vai ajudar a petroleira a atingir essas marcas, certamente, serão as empresas fornecedoras que atuam direta e indiretamente na cadeia produtiva do petróleo e gás.
 

Nesta entrevista, o gerente geral da UO-ES, Luiz Robério Silva Ramos, fala sobre a importância do Prodfor não só para a empresa, mas também para outras organizações que exigem fornecedores qualificados e competentes em suas áreas de atuação. Além disso, o executivo ressalta os destaques, as oportunidades e os desafios que os fornecedores de produtos e serviços têm conquistado e enfrentado no setor.

Hoje, no mundo dos negócios, uma das palavras de ordem é competitividade. Qual a relação entre ela e a gestão da qualidade?
A qualidade é um atributo fundamental para a competitividade. Não é possível para uma empresa se inserir ou se sustentar em qualquer mercado, e em especial na indústria de petróleo e gás, negligenciando a gestão da qualidade. Isso acontece porque a qualidade é, sem dúvida nenhuma, um dos pilares mais importantes da competitividade.

Em termos de competitividade, existem segmentos em que os fornecedores capixabas se destacam? Quais?
O Espírito Santo é reconhecido nacionalmente pelos segmentos de metalmecânica e construção e montagem industrial. O setor de transportes também tem se destacado.


Em que as fornecedoras precisam melhorar? Quais são, a seu ver, os maiores desafios do fornecedor certificado?
Eu diria o seguinte: ser certificado, hoje em dia, não é mais um diferencial, é um pré-requisito. Então, o primeiro desafio é evoluir a gestão de qualidade, mantendo a certificação e inovando, para incorporar novas técnicas de gestão e novas tecnologias. Outro pré-requisito fundamental é com relação às exigências de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS). Como esses requisitos são valores inegociáveis, destacam-se as empresas que investem e melhoram de maneira continuada suas performances em SMS.

Onde estão hoje as maiores oportunidades para os fornecedores capixabas? Onde estarão na próxima década?
A atividade marítima é uma grande oportunidade. Além disso, nós vamos ter um processo intenso de atividade vinculada ao gás natural, não só pelo aumento da produção e da oferta, mas também pela implantação do Pólo Gás-Químico que a Petrobras já anunciou e que vai ser instalado nos próximos anos no Espírito Santo. Todo esse conjunto de atividades associadas ao gás natural também constitui uma oportunidade de crescimento. Vinculado a isso há toda a atividade de manutenção, instrumentação, automação e serviços especializados voltados para a área de petróleo em terra e mar.

A indústria de petróleo e gás gera muita riqueza pelo tamanho e abrangência de sua cadeia de suprimentos. Outro segmento que poderia ser desenvolvido no Estado é a indústria naval, e já existe um movimento do Governo do Estado para desenvolvê-la. No Espírito Santo, temos oportunidade para instalação de área naval em que podemos fazer não só adaptações em navios, mas também a construção de módulos que são depois instalados nas plataformas. O Brasil como um todo tem crescido muito nesses últimos anos. As empresas estão atentas a essas oportunidades. São atividades de competência técnica muito forte. Por isso, é necessário realmente que se invista bastante no desenvolvimento tecnológico e no conhecimento.

Dentro desse contexto, como o senhor avalia o Prodfor?
O Prodfor tem um papel fundamental e importante de ajudar a desenvolver e certificar os fornecedores, criando um conjunto amplo de empresas capazes de atuar com qualidade, custos competitivos e segurança, principalmente. É interessante observar os resultados das empresas certificadas pelo Prodfor, pois os clientes, faturamento, lucro e liquidez aumentam. Além disso, um recente levantamento demonstrou a redução do endividamento desses fornecedores após a certificação. E isso acontece porque o Prodfor fortalece o modelo de gestão das empresas, mesmo as pequenas. Ou seja, além de ser a "porta de entrada" para fornecer bens e serviços para a maioria das grandes empresas do Estado, mantenedoras do Prodfor, este Programa ainda é decisivo para contribuir com a sustentabilidade de um ambiente empresarial absolutamente profissional na cadeia de fornecedores das grandes empresas.

O que levou a Petrobras a tornar-se mantenedora do Prodfor?
Acreditar que a parceria entre grandes empresas e importantes instituições do Estado poderia criar um Programa capaz de mobilizar a cadeia local de fornecedores de bens e serviços a se profissionalizar cada vez mais e a garantir qualidade, segurança e competitividade. E hoje temos a certeza de que a decisão foi muito acertada, pois o Prodfor possui credibilidade nacional.


Quais as principais vantagens do Prodfor para o ES?
É ter as empresas competindo, ocupando os espaços que elas podem ter. Se as empresas mantenedoras não desenvolvem as empresas localmente, acaba que esse mercado é ocupado por empresas de fora do Estado. Assim, perderíamos a oportunidade de desenvolver a economia local, a geração de renda, de emprego e a própria agilidade no atendimento às necessidades das empresas mantenedoras. O interessante é constatar como este Programa traz benefícios para todos: para as grandes empresas, pois passam a contratar fornecedores mais confiáveis, sob o ponto de vista de qualidade e segurança; para os fornecedores, que passam a ser mais competitivos tanto dentro do Estado, quanto em oportunidades comerciais em qualquer região do Brasil; para o Governo, pois com o aumento das transações econômicas passa a haver maior arrecadação de tributos; e para a sociedade de maneira geral, já que o fortalecimento das empresas locais gera mais emprego e renda.

Qual o peso relativo que as certificadas capixabas têm hoje na cadeia de fornecimento da Petrobras, considerando a UO-ES?
Os fornecedores capixabas estão ocupando um espaço importante na indústria de óleo e gás, ampliando seus horizontes. Hoje, já há empresas capixabas atuando fora do Estado, em atividade marítima, inclusive. Isso demonstra a competência e a qualidade delas. Para se ter uma ideia, a Petrobras contrata e compra cerca de R$ 4 bilhões por ano de empresas capixabas. Uma parte é feita por nós mesmos, da UO-ES, mas outra parte é feita por outras unidades da Petrobras.

É importante esclarecer que, mesmo que a empresa seja certificada no Prodfor, para contratar diretamente com a Petrobras ela deve ser cadastrada na própria Petrobras. Isso não acontece com outras mantenedoras, mas acontece conosco, porque temos nosso próprio sistema de cadastramento. Mas ressalto que um fornecedor certificado pelo Prodfor tem muito mais facilidade de se cadastrar na Petrobras, pois será mais simples comprovar um sistema de gestão robusto e eficiente, com foco na qualidade.

Essa participação tem evoluído (aumentado)?
A percepção é que tem evoluído sim. Com o crescimento da indústria de óleo e gás, o empresariado está se capacitando e se preparando para atuar não só localmente, mas também em todo o Brasil.

Como as certificações do Prodfor são vistas fora do Estado?
Com muita credibilidade, já que inclusive outros estados têm se movimentado para criar ou fomentar um processo equivalente ao Prodfor. Isso demonstra que o Programa realmente é um sucesso. Neste ano, o Programa faz 14 anos, e 14 anos não são 14 meses. E é isso que impressiona, porque se não fosse eficaz, as mantenedoras e os fornecedores não investiriam mais no Programa. Mas, ao contrário, o Prodfor tem cada vez mais credibilidade, dentro e fora do Estado.

Olhando para o futuro e o ritmo de desenvolvimento do Espírito Santo, acredita que o Prodfor terá vida longa?
Sim, porque o desenvolvimento das economias e das empresas precisa ser contínuo e sustentável. Quem achar que chegou ao auge e, por isso, pode parar de se desenvolver, na verdade, terá grande chance de ser rapidamente superado pela concorrência. É exatamente por isso que o Prodfor não apenas certifica os fornecedores, mas exige a recertificação periódica, para a garantia da renovação do compromisso com a gestão da qualidade. Assim, o Programa fica cada vez mais forte e duradouro.

 
A Petrobras é uma das companhias que mais investe no Espírito Santo e a cada dia anuncia novas iniciativas. É possível às empresas locais aumentarem sua participação nas cadeias de suprimento da indústria petrolífera ou elas já alcançaram o limite de sua capacidade de satisfazer a tantas demandas?
Há uma série de oportunidades tanto de bens, quanto de serviços que podem ser aproveitadas por empresas capixabas. A indústria vai continuar crescendo, tanto em terra, quanto no mar. Vamos continuar pesquisando, investigando em ambientes cada vez mais desafiadores, em águas mais profundas, em zonas de produção mais profundas, com características mais diferenciadas. E, claro, será necessário que as empresas acompanhem esse ritmo. A sociedade exige e nós exigimos cada vez mais empresas éticas, com forte foco na segurança. E quando falamos de qualidade, falamos de segurança. Ter a segurança como um valor é respeitar as pessoas, o trabalhador, o meio ambiente; e cada vez mais a indústria vai precisar de empresas que realmente tenham esse perfil. Esse é um processo de evolução contínua e rápida. Então, as empresas não chegaram nem no limite de área de atuação, nem no limite da sua competência.


Muito se fala que o desenvolvimento econômico e o crescimento devem estar alicerçados no desenvolvimento sustentável. Qual a participação da companhia nas estratégias e ferramentas oferecidas aos fornecedores para auxiliá-los na formulação e implantação de uma política de responsabilidade social e ambiental?
Historicamente, a Petrobras é uma empresa que ajuda nos programas de avaliação de qualidade dos fornecedores. Além de motivar, incentivar e estimular o desenvolvimento sustentável, dentro dos próprios aspectos contratuais, há alguns requisitos nesse sentido, como, por exemplo, os que são voltados ao aspecto da segurança, aos aspectos ambientais, à ética e a promoção de saúde dos trabalhadores.

Quais são os próximos passos da Petrobras no ES?
A Petrobras tem muitos projetos para implantar no Espírito Santo nos próximos anos. É importante observar que o crescimento significativo verificado nos últimos anos das atividades da Petrobras no Espírito Santo, quando passamos de uma produção de 10 mil para um potencial atual de 300 mil barris de petróleo por dia, além da capacidade de produção e de processamento de gás natural acima de 12 milhões de metros cúbicos ao dia, é significativo e deve ser celebrado. Mas todo esse crescimento é apenas uma etapa diante dos enormes investimentos que ainda faremos no Estado, e que vão garantir um crescimento ainda maior.

Nossa expectativa para este ano é a continuidade dos projetos, a consolidação da implantação do projeto da P-57 com a interligação de novos poços e o crescimento da produção de óleo e gás. Para isso, vamos intensificar em 2011 a atividade exploratória tanto em mar, quanto em terra perfurando 23 novos poços no Espírito Santo, sendo 12 em terra e 11 no mar. Ainda teremos a conclusão da planta de gás de Cacimbas, em Linhares, e o aumento das atividades da planta de gás que fica em Anchieta, no sul do Estado.

Esperamos chegar próximo a uma produção média diária de 500 mil barris de petróleo até 2015, com 16 milhões de metros cúbicos de gás. Ou seja, tudo indica que os próximos anos continuarão sendo promissores. Mas para isso, precisamos de uma cadeia de suprimentos cada vez mais forte.

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