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O desenvolvimento de fornecedor pode ser analisado sob duas óticas distintas. Pode ser identificar ou buscar um novo fornecedor ou então promover a melhoria de fornecedores já identificados. A criação de novas fontes de fornecimento é entendida como o contexto limitado de um programa de desenvolvimento de fornecedores. A forma mais ampla é assumida quando esses programas visam a melhoria dos fornecedores existentes. Para que esses programas tragam o resultado esperado às empresas, especialmente as de grande porte, é necessário que sejam usadas referências ou modelos para definir o que é um fornecedor qualificado ou em condições para fornecimento.
O modelo de gestão comumente usado para qualificação de empresas tem sido a norma ISO 9001. Além desse, o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) apresenta o modelo de excelência, usado como critério para premiação de empresas. Recentemente surgiu a norma TR Q 005, que apresenta um novo modelo definido pela Japanese Standards Association, abordando níveis de maturidade do Sistema de Gestão da Qualidade e tem sido aplicada de modo experimental. Esses três modelos serão apresentados a seguir, sendo feita uma análise do seu uso combinado.
Norma ISO 9001 A ISO 9001 tornou-se uma referência internacional para requisitos de qualidade nas relações entre empresas, sendo editada pela International Organization for Standardization, conhecida como ISO. A norma ISO 9001 estabelece os requisitos mínimos que uma organização deve atender para assegurar que seus produtos ou serviços estejam em conformidade com o pedido do cliente ou as condições contratuais estabelecidas. Esse conjunto de requisitos define o Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ. A forma de avaliação do atendimento aos requisitos da norma ISO 9001 é feita por meio de auditorias para certificação das empresas
Prêmio Nacional da Qualidade Os critérios de excelência têm sido usados em todo o mundo para avaliar e premiar empresas que adotam esses parâmetros em sua gestão. Atualmente, em cerca de 100 países, há mais de 75 prêmios relativos à qualidade. O precursor foi o Prêmio Deming, instituído no Japão em 1951 em homenagem ao grande guru da qualidade. Seguindo essa tendência internacional, foi criado no Brasil, em 1992, o Prêmio Nacional da Qualidade - PNQ, um reconhecimento à excelência da gestão de organizações, sendo concedido pela Fundação Nacional da Qualidade - FNQ. O PNQ é composto por oito critérios e itens e define o que a organização deve fazer para obter sucesso na busca pela excelência no desempenho.
Norma Japonesa TR Q 005 Um modelo recente ainda em desenvolvimento no Japão apresenta níveis de maturidade do Sistema de Gestão da Qualidade. Esse modelo, definido pela Japanese Standards Association, apresenta o conceito de sustainable growth, traduzido como crescimento sustentável, e tem sido implementado de modo experimental no Japão desde 2003. Esse modelo visa apoiar a melhoria da eficácia, eficiência e inovação no sistema de gestão da qualidade, além dos requisitos estabelecidos na norma ISO 9001, incluindo termas como: melhoria da performance, melhoria da competitividade, apoio ao crescimento sustentável, criação de valor para o cliente e geração de resultados para os públicos envolvidos com a empresa. Apresenta o Sistema de Gestão da Qualidade, semelhante à da norma ISO 9001, acrescido de três itens como: Aprendizado e inovação, Avaliação da percepção de clientes e outras partes interessadas e Inovação em sistema de gestão da qualidade. Faz uso da autoavaliação e, até o presente momento, não existe um sistema independente de avaliação com certificação de empresas. Possui cinco níveis de maturidade do SGQ.
Uso integrado dos modelos Pelas características complementares dos modelos, conclui-se que é possível uma aplicação combinada. O modelo inicial a ser usado é o da ISO 9001, que estabelece as condições mínimas para organização de uma empresa e se apresenta como adequado para certificações iniciais de fornecedores. Com o tempo, à medida que esse modelo passe a contribuir menos para a melhoria da gestão da empresa, é adotado o modelo da TR Q 005, fazendo uso dos níveis de maturidade. As avaliações são da própria empresa (self-assessment) e passíveis de verificação pelo cliente ou organismo certificador. O estabelecimento de níveis permite à empresa implementar melhoria contínua com níveis certificáveis. Por fim, o modelo do PNQ é usado para fornecedores críticos em uma cadeia de suprimentos, em que seja importante um elevado nível de qualidade de gestão da empresa, buscando a excelência. Uma aplicação interessante seria também, com o tempo, buscar a excelência de toda a cadeia, com o uso do modelo de excelência para avaliações sistêmicas das empresas.
Luciano Raizer Moura Doutor e mestre em Engenharia de Produção pela USP, professor do Centro Tecnológico da UFES/CSTM, diretor da Raizer Moura Consultoria, vice-presidente Institucional da Findes para assuntos do Ideies e coordenador-executivo do Prodfor. |